O médico dá diversos exemplos no texto. Para um tumor colorretal que depende de aminoácidos específicos, pode significar restringir esses componentes durante a quimioterapia ou radioterapia. Para uma pessoa debilitada pelo tratamento, a saída seria adicionar calorias e proteínas, precisamente porque a perda de peso e de massa muscular prejudicaria a terapia. Mukherjee afirma que, apesar de ser um campo que dá seus primeiros passos, há sinais encorajadores em modelos nos quais as drogas foram combinadas com dietas redutoras de insulina ou modificadoras de aminoácidos. No entanto, há um longo caminho para que se torne parte do cuidado padrão, que demandaria:
- Regimes multimodais: utilização de várias abordagens combinadas que interrompam a sinalização sem comprometer a resposta imune. Detalhe sobre a sinalização: as células cancerosas crescem porque suas “vias de sinalização” estão travadas na posição ligado. É como um interruptor quebrado que envia ordens constantes para a célula se dividir sem parar. O objetivo das drogas de precisão é desligar esse interruptor. O problema é que as vias de sinalização não existem apenas no câncer – também são usadas por células saudáveis para funções vitais e, quando são “desligadas”, afetam o organismo.
- Nutrição de precisão: alimentos prescritos para complementar o mecanismo de uma droga e fechar as “fugas metabólicas”, o processo pelo qual uma célula cancerosa altera suas rotas de obtenção de energia e nutrientes para sobreviver e continuar crescendo.
- Sistema operacional metabólico: um modelo computacional do metabolismo que permita prever o fluxo e antecipar a resistência e os desfechos numa simulação antes de serem aplicados aos pacientes.
“Alimentar o paciente, matar o tumor de fome” não é um slogan, mas uma diretriz clínica, a ser escrita com a mesma especificidade que uma ordem de quimioterapia, destaca o oncologista.